Mostrando postagens com marcador democratização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador democratização. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de julho de 2014

A direita envergonhada (por enquanto...)


A verdadeira agenda da direita demo-tucano-aecista para o Brasil não tem grandes novidades. Na verdade, é tão óbvia que soa meio clichê: desemprego, arrocho salarial, privatizações, sucateamento do estado, escalada dos juros, alienação da indústria nacional, aumento das tarifas públicas, cortes no orçamento das políticas sociais, etc, etc, etc.

"Essas propostas estão sendo aplicadas na Grécia, na Espanha e na Itália, e não têm nada de original. Elas obedecem aos interesses e ao comando das grandes corporações transnacionais e da acumulação financeira", diz Silvio Caccia Bava, do Le Monde Diplomatique Brasil. "A novidade não está no andar de cima, com seu consumo de elite. A novidade está no ingresso de dezenas de milhões de brasileiros no mundo do consumo, alimentando um mercado de produtos de massa, circuitos curtos de produção e consumo, gerando emprego e bem-estar. Tudo isso implicou a redução do ganho dos rentistas".

Por ora, Aécio e seus formuladores seguem constrangidos em defender publicamente esses objetivos. Falta-lhes coragem e honestidade intelectual - a mesma honestidade intelectual que falta a alguns "petistas" na hora de escamotear o fato de que o novo programa de governo de Dilma não contempla aspectos fundamentais para uma agenda progressista como a democratização dos meios de comunicação. Enquanto isso, Aécio e sua curriola se servem de uma assombrosa cortina de fumaça midiática para confundir a opinião pública em torno de seus reais interesses para o País.

Parafraseando os versos de Chico, essa terra ainda pode tornar-se um imenso Portugal, uma imensa Grécia, uma imensa Espanha...

P.S. - a íntegra do texto do Silvio Caccia Bava pode ser acessada aqui.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Nós que nos amávamos tanto (e amávamos tanto o jornalismo...)



Nós jornalistas vivemos uma terrível esquizofrenia. Teoricamente, por termos curso superior, nos vemos como profissionais liberais; mas, ao contrário de dentistas, arquitetos, advogados, etc, somos obrigados a alienar nossa força de trabalho porque não podemos, afinal de contas, montar um jornal, uma TV, uma rádio para cada um de nós. Por outro lado, as promessas da internet ainda não vingaram como realidade pecuniária. O que temos, por enquanto, é apenas uma farra libertária, que é ótima como (um início de) democratização da informação, mas que ainda não se consolidou como mercado de trabalho.
Pelo menos toda uma geração ainda nos separa de uma nova realidade de produção da informação (independente, liberal e com rendimentos decentes) no mundo digital. Até lá, na internet, com raríssimas exceções, reinará um quase diletantismo. Por ora, seguiremos como funcionários, peões com jornadas de trabalho extenuantes e sob imensa pressão. Seguiremos como trabalhadores de baixa renda, numa profissão que passa por uma histórica crise estrutural; nosso desemprego é estrutural. Há os que se acham algo além por conviverem de perto com os poderosos da política e/ou os donos do poder econômico. São cínicos ou ingênuos. Ou tudo isso junto. Ou coisa pior...
O debate sobre o diploma me parece um falso debate. De um lado, há os que querem nivelar por baixo a discussão e acabar com sua obrigatoriedade - são os que defendem o bundalelê no mercado. Pois penso que devemos nivelar essa discussão por cima e fazer do jornalismo um curso de pós-graduação. Quer ser jornalista?! Forme-se em direito ou economia ou história ou computação ou engenharia ou o que for e faça uma especialização em jornalismo. Isso iria elevar decisivamente o nível da nossa produção e criar uma outra realidade de mercado.
A nosso favor, por enquanto, ainda temos o fato de que somos fundamentais para a democracia e para o chamado estado de direito. Somos fundamentais para restituir ao debate público o espírito crítico. Somos imprescindíveis para dar voz a quem não consegue se manifestar publicamente. Ainda somos... Entretanto, somos todos, indistintamente, proletários. E isso parece nos causar um desconforto, parece criar um tabu, ensejar um recalque que embaça nossa capacidade de articulação e de mobilização. Some-se a isso, como é o caso do Ceará, um sindicalismo pífio e personalista e, voilà, eis o nosso dia-a-dia.
Enfim, sou apaixonado pelo que faço e tenho sincero orgulho de ser jornalista. Seguirei com meu ofício por acreditar realmente nessa missão. Mas talvez daqui a algum tempo tenha de procurar outra profissão para pagar minhas contas e, quem sabe, também custear meu ofício. Como o advogado que é apaixonado pela marcenaria; ou o engenheiro que também é cozinheiro; ou o médico que também é poeta.
Poderei me reinventar (creio que terei de me reinventar) e passar a ser outra coisa, mas seguirei sendo jornalista. Isso me cria enormes problemas e dificuldades, mas me dá uma imensa alegria.