
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Diálogos Possíveis: David Gouveia

sábado, 5 de dezembro de 2009
Mania de listas (os melhores discos do ano)
Salvo algum lançamento improvável de última hora, os melhores discos do ano já podem ser mapeados. Segue a relação escolhida pela “equipe” do Talabarte, que complementa a lista que havia sido feita para o primeiro semestre.
1. Balangandãs, de Ná Ozzetti. Disco-tributo a Carmem Miranda que revisita o repertório clássico de compositores igualmente canônicos, como Assis Valente, João de Barro, Synval Silva, Dorival Caymmi e Zequinha de Abreu, entre outros, com roupagem revigorada e delicada assinada por Dante Ozzetti e Mário Manga. O grande disco do ano para a “equipe” de redação do Talabarte.
2. AfroBossaNova, de Paulo Moura e Armandinho. Chega de saudade! O barquinho mudou sua rota. Manteve a bússola da bossa nova de Jobim, mas, em vez do macio azul do mar, fez de sua carta náutica uma aquarela étnica e percorreu o mares bravios e intensos de suas raízes negras. Do samba ao west-coast, do candomblé ao hard-bop: axé Coltrane, axé Gerry Mulligan! Wes Montogomery pede a bênção a Pixinguinha e Silas de Oliveira. Água no pote de Oxalá e música na alma do mudo inteiro!
3. Saudades do Cordão, de Guinga e Paulo Sérgio Santos. Dois outros exemplos de músicos que, sempre que lançam trabalhos novos, figuram entre os mais mais do ano. Lançando um disco em parceria, então, os dois vão para as cabeças. Para as mais inteligentes e sensíveis, naturalmente. Discão.
4. Debussy, Nelson Freire. O pianista brasileiro chegou a um ponto tal de maturidade artística e virtuosismo que qualquer registro seu entra automaticamente para qualquer lista dos melhores discos de todos os tempos. Pois bem, como lançou esse belíssimo Debussy no primeiro semestre, não poderia ficar de fora.
5. Zii e Ziê, de Caetano Veloso. Ao dar continuidade à sonoridade crua e minimalista construída em Cê, mas superando o amargor das letras do disco anterior, Caetano grava um disco corajoso, em que volta a tensionar o horizonte de nosso consumo musical e mexe mais algumas peças no tabuleiro do jogo entre a tradição e o contemporâneo.
6. Peixes pássaros pessoas, de Mariana Aydar. A promessa anunciada em Kavita 1 se confirma nesse disco com sonoridade e repertório poderosos. Um samba jovial, sem amarras, anda de mãos dadas com um pop inteligente, artigo cada vez mais raro em nossas estantes. Vide a ótima “Tá?”.
7. Live from Salzburg, de Nelson Freire e Marta Argerich. Brasil e Argentina numa tabela de titãs. Destaque para o virtuosismo em "Variações sobre um tema de Haydn", de Brahms; e para a arquitetura preciosa de "Variações sobre um tema de Paganini", do polonês Witold Lutoslawski.

8. Devoção, de Luiza Dionísio. Tarefa difícil escolher a maior cantora brasileira viva de quem o Brasil - infelizmente - ainda não ouviu falar. Luiza Dionísio tem meu voto. Seu canto é de um delicado vigor e emociona à primeira audição. Seu repertório, com belas inspirações religiosas afro-brasileiras, se espalha pelo choro-canção ("Velho amigo"), samba sincopado ("Vila do meu coração") e samba de roda ("Mar de jangada").

9. Pimenteira, de Pedro Miranda. Tradição, presente e futuro. Tudo desaguando na voz afinadíssima e cheia de suingue de Pedrinho Miranda. Sem manias de passado nem frescuras de modernidade. Um disco de altíssimo astral e de inegável "força histórica".

10.Yesterdays, de Keith Jarrett. Há os que prefiram outros trios de Jarrett, como o que contava com Paul Motian e Charlie Haden. Mas é inegável que foram Peacock e DeJohnette que consolidaram o projeto musical do pianista em relação a suas formações jazzísticas. Esse disco celebra mais uma vez essa parceria de mais de trinta anos, com standards como “Stella by Starlihgt”, “Smoke gets in your eyes” e “You took advantage of me”, que, como se espera de um disco do trio, deixam de ser clichês e viram outra coisa nas mãos endiabradas de Jarrett.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
A pimenteira de Pedro Miranda

Pimenteira, segundo disco solo do carioca Pedro Miranda, está saindo do forno. Ao mesmo tempo em que chegava às lojas, o CD era citado em alguns jornalões não propriamente pelo belo trabalho que é, mas pela bênção de Caetano Veloso ao novo álbum desse enfant terrible da Lapa. Entre outras palavras, o baiano disse que há muito tempo não escutava um disco com tanto entusiasmo.
domingo, 16 de novembro de 2008
O Brasil de Rolando Boldrin
Na música e na biografia de Rolando Boldrin, repousa mais do que aquilo que alguns pesquisadores costumam chamar de "Brasil profundo", mas um efetivo projeto de nação, mais delicada, mais solidária e mais humana. Mais orgulhosa de sua própria grandeza. O Brasil que esse paulista projeta em seus discos e em seus programas de TV, no entanto, tornou-se um País irreal, milhas e milhas afastado do Brasil real, oficial, que optou por se perder de si mesmo, por cretinizar sua alma musical. Violeiro, disco de 1982, é um dos grandes momentos na discografia de Boldrin. Aqui, ele tem a companhia de então remanescentes de duplas caipiras famosas, como Ranchinho, Cascatinha, Corumba e Bentinho. Entre uma e outra dolorida moda de viola, como "Violeiro Triste" e "Chapéu de paia"; Boldrin interpreta algumas jóias do melhor humor caipira, como "Balagulá" e "O sapo no saco", regravada por Pedro Miranda. Em resumo: um belíssimo 3x4 da obra de um artista que construiu, como poucos, um retrato grandioso para o País.Abaixo, Boldrin acompanhado de outro gigante, Sebastião Tapajós.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Arte do encontro
Um show memorável. Moyseis Marques veio, viu e venceu. Quem foi ontem no Amici´s conferiu como o cara tem carisma e como é um dos grandes intérpretes do País em nossos dias. Simples, sem afetações, Moyseis mostrou seu trabalho e conquistou o público. Vou me permitir a indiscrição e, talvez embalado pela alegria pós-evento, dizer que saímos todos envaidecidos com os elogios tecidos à nossa banda, que aprendeu imensamente com mais essa jornada do projeto Policarpo Convida. Destaque para a perfomance do mestre Zé Renato, um dos maiores músicos do Brasil e que conquistou Moyseis logo na primeira bordoada. Pedro Miranda, Gallotti e, agora, Moyseis. Que honra tocar (e trocar informações) com essa rapazeada. E que honra também ser acompanhado de músicos tão talentosos e cheios de garra e de boa energia como os que formam o Policarpo. Ficam nossos agradecimentos para as mais de 200 pessoas que foram ao show. Isso só nos deu mais ânimo de seguir adiante com essa cruzada. Um tanto quixotesca é bem verdade. Mas que nos dá uma alegria danada a cada edição do projeto. Em novembro, teremos Moacyr Luz (!) e, em dezembro, Cristina Buarque (!!). Aliás, como diria o irmão da própria: tem mais samba no encontro que na espera. No que diz respeito ao Policarpo, a gente tem trabalhado muito duro para fazer do samba uma feliz arte do encontro por essas bandas.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Moyseis Marques

Samba do bom, sem frescura. Uma divisão inacreditável. O nome do homem é Moyseis Marques. O Moyseis se escreve assim mesmo: batismo do cantor, do compositor e do disco de estréia. Pra falar dele é simples: canta muito! Mais um da nova geração da Lapa: Pedro Miranda, Gallotti, Tira Poeira, Anjos da Lua, Casuarina, essa rapazeada boa que vai levando o samba adiante com muito talento, garra e respeito.
Abaixo, o homem em ação...